GENTILEZA POR AÍ

Gentileza. Havia algum tempo que eu não ouvia esta palavra. Talvez porque realmente há uma falta de prática dela, da gentileza. Ou talvez porque o que se faz por aí, na tentativa de ser uma gentileza, seja algo pró-forma, mecânica, sem um real objetivo de agradar ao próximo, mas algo para se aparecer, “parecer” educado na frente dos outros. Ou quem sabe, não estamos observando como deveríamos.
No fim dessa semana que se passou, fui eu viajar para o interior, encarar oito horas de viagem dentro de um ônibus. Mas entro no ônibus e: Opa! Colocaram o jornal do dia em cada poltrona. - “Que gentileza. Não Precisava”. Eu tinha levado comigo algo para ler. Mas aquilo foi bom. Passei um tempão olhando os Classificados na sessão de empregos. Algo que eu não esperava. Após as longas horas de viagem, cheguei em minha querida cidade, Irecê. Por algum motivo, esqueci de levar uma camiseta, ou seja, estava sem roupa para o dia. E na véspera do feriado, fui procurar alguma lojinha que ainda estivesse aberto para comprar uma camiseta baratinha. Acabei achando uma loja que já estava fechando. Eu disse às moças que estavam ali baixando as portas da loja, que eu só queria comprar uma camiseta simples e barata. Achando que elas iam me mostrar apenas uns dois modelos, eu ia comprar e Tchau! Surpreenderam-me. Fui muito bem tratado, fiquei muito tempo, cerca de uns trinta a quarenta minutos escolhendo. Para a surpresa delas e minha também, acabei comprando três camisas e uma bermuda. Gastei mais do que devia, mas me senti satisfeito com o atendimento e a paciência das bem humoradas atendentes. Elas sim foram gentis, de verdade. E hoje, tive dois exemplos de gentileza, um foi um grande favor que meu colega de faculdade fez por mim, entregou pessoalmente meu currículo no seu trabalho. E às cinco horas e cinqüenta minutos da tarde, recebi a ligação da moça marcando um horário para uma entrevista de emprego. Não estou pensando negativo, mas, mesmo que eu não consiga este trabalho, sou grato do mesmo jeito ao meu colega. A outra gentileza, foi pela manhã bem cedo, quando resolvi ir para a faculdade com a minha nada discreta camisa do grande Chapolin Colorado (coisa de estudante de Publicidade). Saindo do meu prédio, o vigia da rua gritou: - “Bom dia Chaves, (errou o nome do herói, mas tudo bem) que você consiga salvar um monte de gente com a sua astúcia!”. Respondi com um obrigado.
Parando para observar, vi que eu não percebia tantas gentilezas praticadas por muitas pessoas por aí, que são educadas, mas que seus atos passam despercebidos muitas vezes. E nós acabamos não sendo gentis, achando que os outros não são gentis. Abrindo os olhos, veremos muitas pessoas demonstrando a gentileza aqui e ali. Podemos também ser gentis, de uma forma simples, mais simples do que muitas vezes pensamos. Que acha de: “Bom dia!”; “Muito obrigado!”; “Bom trabalho!”. Fácil não é? Ah! - “Muito obrigado por ler o meu texto!”